
A dança da professora Jaqueline Carvalho, 28 anos, realmente pegou mal. Depois de protagonizar uma coreografia ousada da música “Todo enfiado”, da banda O Troco, no palco de uma casa de shows em Salvador, a moça passou a ser apontada nas ruas, teve que assinar um acordo de demissão, se mudou, passou por constrangimento em rede nacional e por último, teve que ser internada com pressão baixa.
O vídeo que mostra a professora com o vestido levantado, rebolando de costas para o público, enquanto o cantor Mário Brasil puxa e repuxa sua calcinha, virou febre na Internet. Apesar da polêmica, o vocalista saiu em defesa dela alegando que é “uma menina de família” e que não deveriam julgá-la desta forma. A grande repercussão, no entanto, não se deve ao ato em si, mas à ocupação da moça, visto que a coreografia é a mesma em todas as apresentações do grupo e outras mulheres já haviam dançado igual. Mário confirma o fato e diz que não força ninguém a nada, mas quando chega a hora, elas brigam para subir no palco.
Apesar de estar fora do seu horário e local de trabalho no momento da gravação do vídeo, a professora não escapou do falatório. A função que exerce ainda é um peso no juízo da população. Para parte da opinião pública, a profissão é um motivo suficientemente forte para que se mantenha uma postura digna e responsável, que vai além de uma questão pessoal e passa para esfera de uma representação de uma classe de trabalhadores. A própria afirmou que não acha errado o que fez, mas que, infelizmente, é um comportamento que não condiz com seu emprego e que, só por isso, está arrependida.
Jaqueline é mãe de uma menina da mesma faixa da idade dos seus alunos, e entende as conseqüências do seu ato. Ela contou que ficou chocada ao ver a própria filha, de sete anos, imitando a tal dança dentro de casa. O professor é um dos primeiros formadores de opinião com o qual as crianças têm contato, portanto é preciso ser bastante cauteloso com o que se vai dizer e/ou fazer. Para os pequenos, tudo serve como exemplo.

