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Archive for the ‘Comportamento’ Category

A professora dançou. Literalmente…

A dança da professora Jaqueline Carvalho, 28 anos, realmente pegou mal. Depois de protagonizar uma coreografia ousada da música “Todo enfiado”, da banda O Troco, no palco de uma casa de shows em Salvador, a moça passou a ser apontada nas ruas, teve que assinar um acordo de demissão, se mudou, passou por constrangimento em rede nacional e por último, teve que ser internada com pressão baixa.

O vídeo que mostra a professora com o vestido levantado, rebolando de costas para o público, enquanto o cantor Mário Brasil puxa e repuxa sua calcinha, virou febre na Internet. Apesar da polêmica, o vocalista saiu em defesa dela alegando que é “uma menina de família” e que não deveriam julgá-la desta forma. A grande repercussão, no entanto, não se deve ao ato em si, mas à ocupação da moça, visto que a coreografia é a mesma em todas as apresentações do grupo e outras mulheres já haviam dançado igual. Mário confirma o fato e diz que não força ninguém a nada, mas quando chega a hora, elas brigam para subir no palco.

Apesar de estar fora do seu horário e local de trabalho no momento da gravação do vídeo, a professora não escapou do falatório. A função que exerce ainda é um peso no juízo da população. Para parte da opinião pública, a profissão é um motivo suficientemente forte para que se mantenha uma postura digna e responsável, que vai além de uma questão pessoal e passa para esfera de uma representação de uma classe de trabalhadores. A própria afirmou que não acha errado o que fez, mas que, infelizmente, é um comportamento que não condiz com seu emprego e que, só por isso, está arrependida.

Jaqueline é mãe de uma menina da mesma faixa da idade dos seus alunos, e entende as conseqüências do seu ato. Ela contou que ficou chocada ao ver a própria filha, de sete anos, imitando a tal dança dentro de casa. O professor é um dos primeiros formadores de opinião com o qual as crianças têm contato, portanto é preciso ser bastante cauteloso com o que se vai dizer e/ou fazer. Para os pequenos, tudo serve como exemplo.

E o que eu vou cantar para os meus netos?

avó e neta Todos os dias, enquanto estou na frente do computador, e a minha avó está na cozinha, ouço-a cantando musicas antigas. Como você pode presumir, todas com letras muito bem trabalhadas, em geral românticas e com um tom melancólico muito forte.

De tanto as ouvir, hoje, consigo cantar boa parte delas sozinha. Vivo entre algumas como “fiquei entre a cruz e a espada, quando ela enciumada obrigou-me a escolher. E agora o meu dilema persiste. Viver sem ela é tão triste, sem ti não posso viver” e outras como “Eu sei e você sabe que a distância não existe e todo grande amor só é bem grande se for triste”. 

Mas então deparei-me com um problema para o qual ainda não achei resposta: “Quais musicas cantarei para os meus netos?”. Não que eu vá de fato cantar! Não sou cruel ao ponto de fazê-los passar por esta provação. Mas teoricamente falando, há muito o que se pensar sobre as músicas que são produzidas hoje em dia.

Não vamos negar que existem algumas muito bonitas. Outras são bem escritas e não tão bonitas, mas não seria ruim de passar adiante. Vale deixar claro que eu não cito Caetano, Djavan, Gilberto Gil ou qualquer outro dentre esses grandes compositores. Falo das musicas pegajosas que provavelmente se perpetuarão na nossa memória. Será que um dia eu vou cantar para meus filhos e netos, algumas pérolas com “To nem aí, to nem aí, pode ficar no seu mundinho que eu não vou ouvir” ou “O seu problema é de ana, analista. Vai procurar um neuro, um neurônio”? Não dá.

Consigo inclusive me visualizar arrumando a mochilinha do meu filho, tão bonitinho e eu cantando “rala a tcheca no chão, a tcheca no chão, a tcheca no chão, mamãe” e ele me olhando com uma expressão intrigada. Ou buscando ele na escola, com o som alto e tocando “O meu amor me fez feliz! Me deu um pé na bunda…”. Ou pior, ninando os meus queridos netinhos e cantando “Pra dançar creu tem que ter disposição. Pra dançar creu tem que ter habilidaaaaade”. Beautiful… 

E a tendência é piorar. O que meus filhos e netos vão ouvir? A própria narração do ato sexual? Ah não, não… Isso já acontece. Isso é coisa do nosso tempo. E para finalizar, gostaria de citar um grande sábio dos tempos atuais “Ado. A-ado. Cada um no seu quadrado”. Sem mais.

Dá Play, que eu estou te ouvindo

Em um belo dia, alguém resolveu inventar algo que conectaria qualquer pessoa, em qualquer lugar à outra: o celular. Com o tempo, notou-se que apenas conversar por voz não era o suficiente. Deram ao pequeno (e cada vez menor) aparelho a possibilidade de receber e enviar mensagens, tirar fotos com baixa e alta resolução, filmar, conectar-se via infravermelho e Bluetooth, e dentre tantas outras milhões de coisas, deram também o direito de ouvir músicas.

A princípio, a idéia era substituir os toques polifônicos. Dar um ar muito mais moderno ao aparelho. Depois, os toques musicais viraram músicas completas e o espaço de memória nos celulares foi aumentando e aumentando. Hoje, é possível ter um mp3 player nele.

Isso poderia solucionar aquele velho problema da falta do que fazer enquanto se espera por algo, por exemplo. Substituindo o papel dos velhos joguinhos (quem não se lembra da cobrinha da Nokia?). O grande detalhe, é que esqueceram de colocar no manual do aparelho que para utilizá-lo é preciso possuir algo: bom senso.

Não sei se isso acontece só comigo, mas em 100% das vezes que eu entro em um ônibus, existe alguém com aquele discretíssimo fone no ouvido. O problema começa quando esse alguém esquece, não tem, ou perde seu fone. Daí essa pessoa tem uma brilhantíssima idéia: ouvir música pelo alto-falante do celular. Foi-se embora a minha chance de ter uma viagem tranqüila.

Eu não deveria reclamar disso, afinal o meu celular também tem o tal do mp3 player, e eu tenho mais de 300 músicas nele. Mas tomar certos cuidados como não ouvir alto demais, e sempre ouvir pelo fone, nunca me fizeram mal. O que parece, é que as outras pessoas não têm essa mesma preocupação. E vou pra casa ouvindo todas aquelas músicas, que geralmente, eu detesto.

Isso é ruim, mas existem coisas piores. Um exemplo é aquela inocente pessoa que acha que canta muito bem, ou que ninguém está ouvindo a sua voz. Ela começa cumprindo o tratado de paz entre os passageiros de uma forma muito correta: põe o fone e ouve baixo. Depois de alguns minutos, ela se sente no chuveiro da casa dela e começa a cantar! Como se a gente não pudesse escutar aquela gralha desafinadíssima… É pouco?! Ela capricha! Porque não dançar para acompanhar a música? Sim! Algumas pessoas dançam no ônibus também.

Aos desavisados, fica a dica: nós podemos te ouvir. Seja durante aquela conversa super animada que você está tendo com a sua amiga, contando altos segredos, seja enquanto você ouve as suas músicas no alto-falante. Afinal, não custa nada ser um pouco cuidadoso quando se trata deste assunto, não?