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Archive for Setembro, 2009

Criança, esperança de audiência.

MaísaEssa febre de “criança-esperança” já deu o que tinha que dar. Alguns programas de auditório, que já estão ávidos por alguns pontos de audiência, se mostram cada vez mais desesperados e apelam de todas as formas. O resultado disso são crianças e mais crianças “talentosas”, pipocando feito gremlins na nossa tela.

A nossa queridíssima e espevitada Maísa é um exemplo claro disso. Começou como “cantora profissional”, como ela se autodenomina, no programa do Raul Gil. Hoje, é apresentadora de um programa infantil no SBT. Convenhamos que, apesar de toda imagem de inconveniente e serelepe da mocinha, ela possui uma perversidade e espontaneidade nata que cativou definitivamente seu atual público adolescente/adulto.

Zapeando no sentido contrário encontramos um programa dominical, de grande audiência, brincando com seu conteúdo. O Domingão até acerta algumas vezes, mas de certo, está subestimando a inteligência do telespectador e não parece preocupar-se com o que oferece. É de espantar que alguém com tanta cultura, como ele tem, não estude os temas sobre os quais vai conversar ao vivo, faça perguntas sem nenhuma profundidade, nos encha de falso moralismo, constranja os convidados e equipe técnica, não deixe ninguém falar, e agora ainda queira bancar a Tia Penha (vídeo de humor de Marcelo Médici disponível no Youtube).

Fausto já está emagrecendo e se pusesse uma peruca loira poderia ser facilmente chamado de Xuxa. Para começar, o rei dos baixinhos convidou os atores-mirins da novela Caminho das Índias para contarem o que comeram ou deixaram de comer no almoço. “Ai Fausto, eu comi arroooooooz, feijãaaaaaao, biiiiiiife…”. Acredite porque isso é real. Ele agora inventou de trazer de novo o mini-tecladista-super-talentoso Whadilen, de Caruaru-BA, para mostrar sua nova música.

Que fique claro, a primeira música tratava do pato que mergulha aqui e sai ali. Não dá pra se exigir mais do que isso de uma criança, mas alguém pode explicar por que isso precisa aparecer na televisão? O menino até toca bem, principalmente para a idade dele, mas vai tocar pra vovô, vai neném.

Para piorar um pouquinho, agora veio a mais nova sensação deste garoto prodígio: a musiquinha do sapo que pula, que como o próprio autor frisou, foi inspirada em um dos seus brinquedos. Será que ninguém da família dele conhece uma pracinha perto de casa, com outras crianças?

E depois de cantar a tal musica do sapo, acompanhada por uma trabalhada coreografia das bailarinas do Faustão, o nosso querido aprendiz de Maísa se aplaudiu. Sim, ele se aplaudiu. Pra fechar com chave de ouro, ele completou: “Faustão, tenho novidade pra você: eu to com namorada”. E quem acorda cedo na segunda-feira que aguente…

A professora dançou. Literalmente…

A dança da professora Jaqueline Carvalho, 28 anos, realmente pegou mal. Depois de protagonizar uma coreografia ousada da música “Todo enfiado”, da banda O Troco, no palco de uma casa de shows em Salvador, a moça passou a ser apontada nas ruas, teve que assinar um acordo de demissão, se mudou, passou por constrangimento em rede nacional e por último, teve que ser internada com pressão baixa.

O vídeo que mostra a professora com o vestido levantado, rebolando de costas para o público, enquanto o cantor Mário Brasil puxa e repuxa sua calcinha, virou febre na Internet. Apesar da polêmica, o vocalista saiu em defesa dela alegando que é “uma menina de família” e que não deveriam julgá-la desta forma. A grande repercussão, no entanto, não se deve ao ato em si, mas à ocupação da moça, visto que a coreografia é a mesma em todas as apresentações do grupo e outras mulheres já haviam dançado igual. Mário confirma o fato e diz que não força ninguém a nada, mas quando chega a hora, elas brigam para subir no palco.

Apesar de estar fora do seu horário e local de trabalho no momento da gravação do vídeo, a professora não escapou do falatório. A função que exerce ainda é um peso no juízo da população. Para parte da opinião pública, a profissão é um motivo suficientemente forte para que se mantenha uma postura digna e responsável, que vai além de uma questão pessoal e passa para esfera de uma representação de uma classe de trabalhadores. A própria afirmou que não acha errado o que fez, mas que, infelizmente, é um comportamento que não condiz com seu emprego e que, só por isso, está arrependida.

Jaqueline é mãe de uma menina da mesma faixa da idade dos seus alunos, e entende as conseqüências do seu ato. Ela contou que ficou chocada ao ver a própria filha, de sete anos, imitando a tal dança dentro de casa. O professor é um dos primeiros formadores de opinião com o qual as crianças têm contato, portanto é preciso ser bastante cauteloso com o que se vai dizer e/ou fazer. Para os pequenos, tudo serve como exemplo.

Eu e Marley e Eu

Essa semana, apesar de toda a atrapalhação com as atividades da faculdade, resolvi alugar um DVD para rir um pouco, aliviar as tensões. Na locadora, fui direto nele, “Marley e eu”, o filme que todos comentavam. Em plena segunda-feira (dia ótimo para relaxar, não?), sentei em frente à Tv e apertei o play.

O filme começou como terminam muitas comédias românticas, o casamento dos personagens principais, os jornalistas John e Jennifer Gorgan (Owen Wilson e Jennifer Aniston, ou seria a Rachel de Friends?). Após algum tempo de casados, sem saber se seriam bons pais, resolvem adotar o endiabrado Marley, um lindo filhote labrador. Um momento: a vendedora do cachorro cobrou menos por ele em relação aos demais. Eles nem questionaram! Será que não perceberam o sorriso maldoso da mulher? oO

Como era de se esperar, muitas confusões e trapalhadas (para usar termos bem Sessão da Tarde) . Um cachorro que não respeita seus donos, quebra tudo, come tudo, acaba com tudo. Então, Jennifer engravida e a partir daí, ao meu ver, o filme realmente começa. Passa-se a enxergar os aspectos quase humanos e infantis de Marley, que vira uma espécie de companheiro que não se acha em todos os lugares e participa ativamente das relações construídas nessa família. O resto, eu prefiro aconselhar que você veja com seus próprios olhos.

Marley não fala, nem é de inteligência extraordinária e nem precisa. Ironicamente, aquele animal é um ator e tanto (rs). Não é um grande filme, nem assisti esperando que fosse. É um testemunho sobre como amizades podem ser verdadeiras sem que nem mesmo uma palavra precise ser dita. No fim, me vi sentada no sofá chorando e rindo, rindo e chorando, e me achando uma completa idiota por me emocionar num filme sobre cachorros.