Ai minha nossa senhora do sacrifício…
Eu adoro escrever sobre as minhas “aventuras” dentro dos coletivos de Salvador, como vocês já devem ter percebido. Hoje, porém, a história é um pouco diferente. Não fui torturada (apenas) por alto-falantes de celulares ou por pessoas sem a mínima noção. Hoje, digamos apenas que o Universo não conspirou ao meu favor.
Sai de casa com uma mochila enooorme e cheia de roupas para passar o fim de semana na casa da minha mãe. Resolvi ir na fármacia antes de ir para a faculdade. Eu sabia que podia me atrasar, mas fui, desviando do meu habitual caminho. Qual não foi a minha surpresa quando eu vi que uma fármacia 24h estava f-e-c-h-a-d-a. Ok! Não havia tempo pra procurar outra. Dei meia volta e corri até o ponto de ônibus.
Lá estava ele, lindo, novo, branco e verde e saindo do meu ponto. Corri para tentar alcançá-lo (com uma mochila pesada, lembre-se), mas não cheguei a tempo. Mais 30 minutos se seguiram até que viesse outro. Mas que maravilha! Ele estava entupido! Onde eu coloco a minha mochila? No chão! Onde mais seria?! Acho que não mencionei que haviam objetos quebráveis dentro dela.
Entre curvas e curvas que o maravilhoso senhor motorista fazia o favor de entrar correndo, eu precisava equilibrar meu corpo com as duas mãos, me ajustar para que os outros pudessem passar por mim com um dos meus pés, e tentar segurar minha mochila para que não virasse, com o outro. Além de uma “inocente” garota que tentava equilibrar o corpo dela, se jogando em mim. Ok! Respira fundo.
Passados mais de 40 minutos nesse problemático malabarismo, finalmente cheguei ao meu ponto e eu senti que Deus teve pena de mim. Um dos passageiros viu que eu não ia conseguir passar e tomou a minha frente, carregando a minha mochila. Pronto. Desapertou! Sai do sufoco.
Na faculdade, que eu só teria UMA única aula, mais uma pequena surpresa me aguardava. Não houve aula. O professor nos deixou dentro do laboratorio de informática para que desenvolvessemos um texto. Parou, né? Eu podia ter feito isso em casa. Fiquei ali até 9:30hrs. Segui então, com uma colega, Carol, até próximo da casa dela. Só naquele ponto passa o onibus para a casa da minha mãe.
Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe duas horas e meia esperando o ônibus. Sim! Acredite! Foram duas horas e trinta minutos sentada esperando o bendito que não passou. Saí praticamente trotando para um outro ponto. Não tinha mais jeito, eu teria que pegar dois onibus mesmo.
Em menos de cinco minutos, esse outro onibus passou. Subi, sentei. Fizemos um imenso tour por Salvador até chegar onde eu queria. Não pergunte quanto tempo demorou, a esta altura, eu tava me lixando pra isso. Desci, e atravessei aqueles 30 milhões de semáforos da Rótula do Abacaxi.
Cortei caminho pelo supermercado, cheguei num outro ponto. Acho que Deus teve pena de mim de novo, e o onibus chegou em menos de três minutos. Subi. Dois pontos depois, desci. Cheguei no prédio, subi três pequenos lances de escada, abri a porta, tomei banho, almocei e me sentei aqui, pra te dizer “tchau”, porque agora eu vou dormir um pouco.