Arquivar

Archive for Agosto, 2008

Nem Jesus salva!

“Tiros disparados por homens não identificados, no final da tarde de ontem, mataram duas pessoas e feriram outras duas que estavam na Mercearia Renascer, no bairro da Rua Nova. Os mortos foram identificados como Josevaldo Conceição de Jesus, 27 anos, e Claudiano Passos Santos, de 29 anos.

Os tiros atingiram ainda Jucinéia da Silva Santos, 26 anos, que foi baleada no braço direito e na cabeça, e Wellington Gama de Oliveira, 30 anos, ferido na mão direita. Jucinéia foi socorrida em uma ambulância do Samu e está internada no Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em estado grave.”

¹
 

 

Em tempos de guerra civil que se instala na Bahia, nem os ramos de oliveira, os santos, ou mesmo Jesus salva. Este fato aconteceu em Feira de Santana, interior do estado, mas reflete o que acontece na capital também. A violência cresce de forma absurda, e a nossa querida Terra de Todos os Santos já não é mais a mesma.

Vivemos numa cidade sitiada e temos que saber por onde andar. O bairro da Paz ou o Alto das Pombas, por exemplo, por mais incrível que possa parecer, tem a tranqüilidade apenas no nome. Parafraseando os cantores Gilberto Gil e Caetano Veloso, parece mesmo que “o Haiti é aqui”.

Apenas no ano passado, mais de 900 pessoas foram assassinadas na capital baiana. Não foram mortes naturais, tampouco mortes por acidente. Foram a-s-s-a-s-s-i-n-a-t-o-s. Pessoas que no auge do seu poder de brincar de ser Deus, tiram a vida das outras.

Isso tudo é mais do que violência física, é violência mental também. É o medo de sair de casa e não saber se volta. É o pânico de que o ônibus seja assaltado em seu percurso. É temor de que a vida não possa seguir o seu curso natural. É a vergonha de admitir nossa fraqueza diante de algo contra o qual não podemos lutar.

Agora, não são apenas os “cegos” que estão perdidos no tiroteio. Todo o resto também está. No meio de tanta violência, não sabemos a quem recorrer. Quem está de qual lado. Quem é o mocinho e quem é o bandido, onde todo mundo tem um pouco de vilão.

Fica o conselho: ainda que você “ande pelo Vale da Sombra da Morte”, tema a todo mal, pois a polícia não está contigo. As armas e os assassinatos não te consolam.

 

¹ BORGES, Edson. Ataque a bar da periferia deixa dois mortos. A Tarde, Salvador, Bahia, 30 de Ago. 2008. Caderno Principal, p. 14.

CategoriasSegurança

“Xylophones and Harmonicas, who wants to hear?”

Com jeito infantil, mas competência de gente grande, Mallu Magalhães impressiona na originalidade e na qualidade da música que faz. Durante suas aparições em programas da Rede Globo, como o Altas Horas, Programa do Jô e o Caldeirão do Huck, a menina de apenas quinze anos, contou, no auge da sua timidez, um pouco da sua trajetória, no mínimo curiosa.

 

Mallu começou a compor aos doze anos, inspirada pelos discos de seu pai que encontrava pela casa da avó e pelos instrumentos que ela, até hoje, conserta. Suas maiores referências musicais são Johnny Cash, Beatles, Belle and Sebastian e Bob Dylan. Com essa bagagem cultural bastante incomum para a sua idade, ela canta num estilo folk, criando uma inevitável comparação com a cantora londrina Kate Nash.

Há muito pouco tempo dentro desse meio midiático, ela gravou suas primeiras 4 músicas em mp3 com o dinheiro que ganhou, dos pais e avós, como presente de aniversário de quinze anos. Disponibilizou-as na internet, muito despretensiosamente, e alcançou o incrível número de 250 mil acessos, transformando-a nesse fenômeno da internet que ela é hoje.

O comportamento dela condiz com a idade que tem. Com sua criatividade e inocência, ela acaba reagindo de forma naturalmente engraçada a certas perguntas e afirmações. Quando o apresentador Jô Soares, ao saber de sua paixão por instrumentos musicais, oferece-a um violino, prontamente ouve um grito: “Não, mas precisa de um nome”. Com seu humor característico, Jô o batiza de “Jô Suíno” e a garota cai na gargalhada.

Todos os instrumentos dela têm nomes próprios. Óbvio, todos muito peculiares. Suas gaitas, como ela mesma descreve, são inspiradas nas gerações das princesas. Uma se chama Penélope I e a outra, Penélope II. Aliás, não são apenas as gaitas que levam nome de princesas, a própria Mallu tem um nome que remete a elas: Maria Luiza de Arruda Botelho Pereira de Magalhães.

Outra grande característica dela é compor em inglês a maior parte das suas músicas. Diz que existem coisas que só ficam sonoras desta forma, além de se sentir mais a vontade para se expressar. Apesar disso, confessa que anda com o dicionário ao lado, por não ser fluente.

A garota acanhada, ao pegar seu violão ou banjo, passa a ser segura, notório até em sua expressão facial. Cantando, ela se metamorfoseia de uma menina para uma cantora profissional, com ar sério e compenetrado para não errar. Tamanha é a confiança que ela inspira, que uma das suas músicas, chamada “J1”, virou trilha da propaganda da empresa de telefonia celular “Vivo”.Suas canções e entrevistas estão disponíveis para acesso no site Youtube e no Myspace. Além de uma comunidade no Orkut, que contém links diretos para downloads e espaço para discussões sobre a cantora.

CategoriasEntretenimento