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Sobre notas, professores e auto-estima

19/05/2009

Acho que ainda não escrevi nada a respeito, mas quando decidi fazer jornalismo, não necessariamente queria fazê-lo. Meus amigos, e alguns parentes liam alguns textos meus, escritos a esmo, e gostavam. Cheguei a escrever um artigo para o ”Lente Azul”, jornal do colégio em que estudava, e fui bem elogiada. Mas na real, eu não sabia se tinha talento pra isso. Tenho consciência de que escrevo de forma simples, compreensível, mas não se é da forma correta.

Quando entrei, de fato, na faculdade, vi que aquilo não era absolutamente o que eu imaginava. Óbvio, todos nós temos dificuldades com novas experiências. Completamente natural. Tirei notas muito boas, mas, ter perdido feio em uma das disciplinas que mais aprovou, realmente me frustrou. A “falta de simpatia” por um dos professores conseguiu piorar a situação. Pensei seriamente em desistir.

Eu persisti. Muito mais pelo medo de contar ao meu pai, do que por convicção. E, como era de se esperar, no segundo semestre, a coisa complicou de vez. Não que eu escreva bem, aliás, tenho minhas dúvidas quanto a isso, mas um pouco de incentivo e orientação não faz mal a ninguém. Ao invés disso, só ouvi críticas e mais críticas, e nenhuma proposta de solução. Em resumo: “se vire”. Em grande parte das disciplinas, tirei notas ótimas, mas justamente naquele mesmo professor, os resultados foram radicalmente contrários. Vai ver que a perseguição é minha e não dele(a), não é mesmo?

O terceiro semestre chegou e agora me sinto um pouco mais confiante. Outros professores, outros métodos de avaliação, outros parâmetros. Hoje, sei que não sou um completo desastre como aluna de jornalismo, embora nem passe perto do brilhantismo. Uma aluna bem medíocre, digamos assim. Não sei se queria fazer jornalismo e tenho dúvidas sobre a minha profissão, mas com certeza, essa não é a hora de desistir. Se não vencer pelo talento nato, triunfarei pelo esforço inesgotável. Apenas gostaria de terminar agradecendo a este(a) grande mestre(a) que me mostrou o quão irremediavelmente incompetente eu sou. Você não despertou a “jornalista de sucesso” que poderia haver em mim, mas com certeza, despertou a raiva de alguém obstinado em mostrar o quão os outros podem estar errados ao seu respeito.

Nota: Como eu já havia dito há um tempo, esse blog pra mim é uma via de desabafo e não um meio de treinar jornalismo. Às vezes eu posto algumas notícias, às vezes algumas crônicas e às vezes qualquer coisa só pra atualizar. Talvez por causa disso, este blog é essa bagunça. É bom deixar claro, caso você goste de vir aqui para ler notícias, que eu vou evitar postá-las, a menos que eu tenha alguma opinião própria sobre.

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Ai minha nossa senhora do sacrifício…

20/03/2009

Eu adoro escrever sobre as minhas “aventuras” dentro dos coletivos de Salvador, como vocês já devem ter percebido. Hoje, porém, a história é um pouco diferente. Não fui torturada (apenas) por alto-falantes de celulares ou por pessoas sem a mínima noção. Hoje, digamos apenas que o Universo não conspirou ao meu favor.

Sai de casa com uma mochila enooorme e cheia de roupas para passar  o fim de semana na casa da minha mãe. Resolvi ir na fármacia antes de ir para a faculdade. Eu sabia que podia me atrasar, mas fui, desviando do meu habitual caminho. Qual não foi a minha surpresa quando eu vi que uma fármacia 24h estava f-e-c-h-a-d-a. Ok! Não havia tempo pra procurar outra. Dei meia volta e corri até o ponto de ônibus.

Lá estava ele, lindo, novo, branco e verde e saindo do meu ponto. Corri para tentar alcançá-lo (com uma mochila pesada, lembre-se), mas não cheguei a tempo. Mais 30 minutos se seguiram até que viesse outro. Mas que maravilha! Ele estava entupido! Onde eu coloco a minha mochila? No chão! Onde mais seria?! Acho que não mencionei que haviam objetos quebráveis dentro dela.

Entre curvas e curvas que o maravilhoso senhor motorista fazia o favor de entrar correndo, eu precisava equilibrar meu corpo com as duas mãos, me ajustar para que os outros pudessem passar por mim com um dos meus pés, e tentar segurar minha mochila para que não virasse, com o outro. Além de  uma “inocente” garota que tentava equilibrar o corpo dela, se jogando em mim. Ok! Respira fundo.

Passados mais de 40 minutos nesse problemático malabarismo, finalmente cheguei ao meu ponto e eu senti que Deus teve pena de mim. Um dos passageiros viu que eu não ia conseguir passar e tomou a minha frente, carregando a minha mochila. Pronto. Desapertou! Sai do sufoco.

Na faculdade, que eu só teria UMA única aula, mais uma pequena surpresa me aguardava. Não houve aula. O professor nos deixou dentro do laboratorio de informática para que desenvolvessemos um texto. Parou, né? Eu podia ter feito isso em casa. Fiquei ali até 9:30hrs. Segui então, com uma colega, Carol, até próximo da casa dela. Só naquele ponto passa o onibus para a casa da minha mãe.

Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe duas horas e meia esperando o ônibus. Sim! Acredite! Foram duas horas e trinta minutos sentada esperando o bendito que não passou. Saí praticamente trotando para um outro ponto. Não tinha mais jeito, eu teria que pegar dois onibus mesmo.

Em menos de cinco minutos, esse outro onibus passou. Subi, sentei. Fizemos um imenso tour por Salvador até chegar onde eu queria.  Não pergunte quanto tempo demorou, a esta altura, eu tava me lixando pra isso. Desci, e atravessei aqueles 30 milhões de semáforos da Rótula do Abacaxi.

Cortei caminho pelo supermercado, cheguei num outro ponto. Acho que Deus teve pena de mim de novo, e o onibus chegou em menos de três minutos. Subi. Dois pontos depois, desci. Cheguei no prédio, subi três pequenos lances de escada, abri a porta, tomei banho, almocei e me sentei aqui, pra te dizer “tchau”, porque agora eu vou dormir um pouco.

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Dá Play que eu estou te ouvindo – Parte III: Eu não!

21/02/2009

Celular

Logo eu, uma fiel defensora do direito de não se ouvir músicas no celular dentro do ônibus, tenho que confessar: errei. Minhas aulas da faculdade recomeçaram enfim e em mais um capítulo da minha triste experiência dentro de coletivos, entrei em mais um ônibus lotado.

Sem nenhuma perpectiva de me sentar  até chegar ao terceiro ou segundo ponto antes do meu e, consequentemente, eliminando a chance de passar o tempo lendo, me segurei e rezei para que pelo menos não fosse incomodada. De fato, apesar de cheio, estava em um ponto estratégico no qual não tive nenhum problema.

Depois de ficar mais de 30 minutos sacolejando dentro daquele veículo, eu finalmente me sentei. E então, algo aconteceu: comecei a ouvir uma música, não sabia de onde, mas ela estava lá. E logo pensei que a tortura ia começar.

Bem, a musica que estava tocando, incrivelmente, era da Katy Perry, “Hot and Cold”. Tentei imaginar quem poderia estar ouvindo aquilo. Na verdade, já estava até começando a gostar da pessoa, sem mesmo conhecê-la. Fim da música, início de outra: Ashe Watson, “A Love Song”. Isso sim era estranho. Quem conhece Ashe Watson? oO

Sai do ônibus imaginando quem poderia ser aquela pessoa que ouvia musicas que eu gostava e que provavelmente poucas pessoas conheciam. Mas a música não parou. Atravessei a rua, ninguém ao meu lado e a bendita música não parava. Aquilo já estava me assustando, e eu imaginando estar ficando doida. Ouvindo músicas do além.

Entrei na faculdade em disparada. Mal falei com o porteiro, coisa que eu costumo fazer, e parti direto para o banheiro. Passei uma água no rosto e abri a bolsa pra pegar meu lápis de olho, só pra dar uma retocada. Eis que o óbvio aconteceu e eu nunca me odiei tanto.

Lá estava ele. O meu celular deve ter esbarrado em alguma coisa e ativou o mp3 player dele. Pois é, meu caro amigo, paguei a língua.

Ao som de: Rosa de Saron – Como eu te vejo